As Reservas Particulares do Patrimônio Natural são
unidades de conservação gravadas para a perpetuidade,
em âmbito federal, de acordo com a Lei n° 9.985/2000
(Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC).
Esse tipo de unidade de conservação, entretanto,
já estava previsto desde o antigo Código Florestal,
de 1934 e, posteriormente, no novo Código Florestal,
de 1965.
Os avanços para o reconhecimento da importância
dessas unidades de conservação foram lentos.
Em 1977 e 1988, o antigo IBDF baixou portarias regulamentando
sua existência. Em 1990, com o Decreto n° 98.914/1990,
foi estabelecido um instrumento legal mais efetivo que as
antigas portarias e, já então o IBAMA, avançou
na tentativa de regulamentar melhor esse tipo de unidade
de conservação.
Hoje, o IBAMA acompanha as RPPNs, através do DIREC,
ligado à Coordenação de Ecossistemas.
Com a Lei do SNUC as RPPNs passaram a ser consideradas efetivamente
unidades de conservação, vindo a compor o grupo
de uso sustentável, mantida a obrigatoriedade da elaboração
de seu plano de manejo. De acordo com as definições
do artigo 21 da Lei do SNUC, as RPPNs são “áreas
privadas, gravadas com a perpetuidade, com o objetivo de
conservar a diversidade biológica”. Nessas áreas,
ainda de acordo com a Lei só podem ser desenvolvidas
atividades de pesquisa científica e visitação
com objetivos turístico, recreativos e educacionais.
O desenvolvimento dessas atividades é estabelecido
através do plano de manejo, que deve ser elaborado
em concordância com o Roteiro Metodológico para
Elaboração de plano de Manejo para RPPNs (IBAMA/2004),
elaborado pelo IBAMA e que prevê o atendimento dos
seguintes objetivos:
• contribuir para que a UC cumpra com os objetivos estabelecidos
na sua criação;
• definir objetivos específicos de manejo para
cada UC, de maneira a orientar e subsidiar a sua gestão;
• promover o manejo da UC, orientado pelo conhecimento
disponível e/ou gerado;
• dotar a UC de diretrizes para o seu desenvolvimento;
• definir ações específicas
para o manejo da UC;
• estabelecer a diferenciação e a intensidade
de uso mediante o zoneamento, visando à proteção
de seus recursos naturais e culturais;
• destacar a representatividade da UC no SNUC diante
dos atributos de valorização dos seus recursos
como biomas, convenções e certificações
internacionais;
• orientar a aplicação de recursos
na UC;
• contribuir para a captação de recursos
e a divulgação da UC;
• fortalecer a figura das RPPN no SNUC.
A Reserva Particular do Patrimônio Natural do Sítio
Ameixas – Poço Velho está localizada
no litoral Oeste de Itapipoca entre as coordenadas UTM
(poligonais) 440934 / 9658139- Nordeste; 439369 / 9659311-
Noroeste; 440571 / 9655822- Sudeste; e 437869 / 9656490-
Sudoeste. Seu acesso pode ser feito pela cidade de Itapipoca,
seguindo para o litoral até a praia da Baleia e
rumo oeste até a Reserva ou também pelo município
de Amontada, indo para a comunidade litorânea dos
Caetanos e de lá seguindo o rumo leste até a área.
Segundo o Zoneamento Geoambiental da faixa costeira do
Estado do Ceará realizado pelo Instituto de Ciências
do Mar – LABOMAR para a SEMACE, a RPPN esta totalmente
inserida no ambientes da Frente Marinha e das Terras Altas.
A Frente Marinha abrange as praias com suas bermas, falésias,
beachrocks e cordões litorâneos; os depósitos
submersos; e os terraços marinhos, submetidos à ação
direta do mar; as feições modeladas pelo
vento como planície de deflação, campos
de dunas costeiras móveis, fixadas por vegetação,
paleodunas e eolianitos; lagunas e lagoas freáticas
ou formadas por barramento dos rios na proximidade da foz,
por areias transportadas pelo vento. As Terras Altas compreendem
as superfícies de erosão esculpidas pelo
rio através dos tempos devido à oscilação
do nível no mar. São os Tabuleiros Pré-litorâneos
presentes na área, as chapadas e planaltos modelados
em sedimentos e, os Maciços Residuais e a Depressão
Sertaneja resultado recorte das rochas cristalinas pelos
cursos d’água.
Nesta com aproximadamente 464 hectares, encontram-se
representadas várias feições morfológicas
de significado ambiental impar, tais como a presença
de recifes na zona de maré, cascudos (eolianitos)
na porção mais externa da praia, passando
por uma ampla superfície de deflação
e suas formas típicas de blowouts, yardangs, rebdous
e mais internamente, nebkas, pequenos sand sheets, dunas
móveis do tipo barcanas e barcanóides e dunas
fixas. Além dos depósitos eólicos,
também encontramos várias lagoas interdunares
e pequenos oásis formados por coqueirais e que dão
um toque de magia para esta parte do litoral (Fotos 01
a 06).
A beleza cênica deste conjunto de ambientes é um
dos argumentos fortes para justificar nesta área
a presença de uma unidade nacional de conservação.
A esta beleza, ainda podemos somar como atributos de uma
unidade de conservação a presença
de dunas móveis e fixas, já preservadas por
legislação federal, dos eolianitos protegidos
por legislação estadual, e a presença
marcante de restos de ocupação humana, testemunhos
dos antigos habitantes da área, que já seria
motivo, mas que suficiente para preservar como patrimônio
histórico (Fotos 7 e 8).
Vale ressaltar que estudos prévios de fragmentos
carbonizados provenientes de solos ou de sítios
arqueológicos desenvolvidos no Brasil (Scheel-Ybert
, 1999,2000 & 2001) têm permitido inferências
relevantes no Quaternário tanto de caráter
paleoambiental como paleoetnológico. Através
desses estudos são efetuadas reconstituições
da paleovegetação e do paleoclima oferecendo
também informações sobre a utilização
de lenhos pelo homem (como combustível, artefato
ou na alimentação).
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| Foto 01 – Depósitos Lagunares, Eolianitos
e o Mar compõem a paisagem à frente da
Reserva. |
Foto 02 - Detalhe dos Eolianitos formando falésias
vivas a beira mar. |
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Foto 03 - Planície de Deflação
com Corredores Preferênciais de Deflação
( Blowout ). |
Foto 04 - Duna Fixada por Vegetação
na parte intermediária da Reserva. |
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Foto 05 - Campo de Dunas Móveis com lagoas
interdunares porção mais interna da
reserva. |
Foto 06 - Detalhe das lagoas interdunares de grande
beleza na região. |
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Foto 07 - Fragmentos Líticos indicadores
das antigas ocupações do litoral. |
Foto 08 - Detalhe dos Fragmentos Líticos
e antiga fogueira na área da reserva. |
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