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Preservação e Educação Ambiental
RPPN
A Fundação Pirata Marinheiros administra uma Reserva Particular de Patrimônio Natural - RPPN, localizada nos municípios de Itapipoca e Amontada, no litoral do Ceará. São 514,33 hectares de área de dunas e vegetação típica das áreas costeiras em seu estado natural, que integram o Refúgio Ecológico dos Piratas.

Nessa área, de acordo com a legislação ambiental, só podem ser desenvolvidas atividades de educação ambiental, pesquisa científica e ecoturismo. No momento, está em elaboração o Plano de Manejo que definirá as condições para a realização de atividades no local.

Quer entender mais sobre RPPN clique aqui.

Ambiente RPPN (reportagem)

Cidadania e consciência ambiental

No ano de 1993 o Ceará passou a contar com sua primeira RPPN no litoral, em um terreno de 50 hectares, no município de Amontada, de propriedade da família do empresário Júlio Trindade, do grupo Pirata Brasil. Em 1994, a família conseguiu ampliar esse patrimônio ambiental em mais 464,33 hectares, em área contígua, no município de Itapipoca, totalizando então 514,33 hectares, após a tramitação de um processo que durou quase quatro anos. Estava criada a RPPN "Refúgio Ecológico do Pirata". A história dessas RPPNs começou há mais de 20 anos, quando em meados da década de 80, empresário Júlio Trindade veio ao Ceará, a convite de amigos, para conhecer o litoral e analisar as possibilidades de montar um negócio no estado. Depois de andar por várias praias, ele se encantou com a paisagem da região de Amontada e Itapipoca e resolveu adquirir uma área para morar e instalar uma empresa.

Por motivos empresariais, a família acabou desistindo dessa idéia e resolveu permanecer na área apenas como moradora. A convivência da família Trindade com a população da área fez com que seus membros participassem ativamente da organização e desenvolvimento comunitários.
No início dos anos 90, as conseqüências da ocupação desordenada do litoral do Ceará já se faziam notar, com a degradação e descaracterização das comunidades praianas, inclusive naquela região. Os 514,33 hectares da família Trindade continuavam preservados e faziam a diferença. Entretanto, isso não foi suficiente para os proprietários, que decidiram ampliar sua ação em parceria com as comunidades.
A primeira ação coletiva foi a elaboração e implantação do "Projeto Marinheiros", em 1990, que envolveu uma campanha contra a pesca predatória da tartaruga e da lagosta, a criação de uma colônia de pescadores (Z-18) e a construção de um grupo escolar numa vila de pescadores, entre outras. Como fruto dessa experiência, em 1991, a família Trindade resolveu criar uma fundação que passou a chamar-se Fundação Pirata Marinheiros, assumindo o trabalho com as comunidades de forma sistemática. A principal marca desse trabalho é a promoção da cidadania, envolvendo as comunidades que moram no entorno das RPPNs. São seis comunidades, de um total de 11 na região, diretamente envolvidas com as atividades da Fundação Pirata Marinheiros. O trabalho envolve os pescadores, as rendeiras, as crianças e os adolescentes. Com esses grupos são realizadas atividades de valorização de sua identidade cultural, de formação cidadão e de desenvolvimento comunitário, além de conscientização da importância de preservação do meio ambiente.
Em 2004, destaca-se o trabalho feito com os pescadores para divulgação da cultura cearense no Festival Náutico de Brest, na França. Dezessete jangadeiros e pescadores artesanais estiveram no festival, mostrando a tradição da carpintaria naval cearense e participando de um torneio de jangadas, entre outras atividades. A ida dos jangadeiros a Europa foi um momento para o grupo adquirir conhecimentos sobre o comportamento, a cultura e a língua francesa, fazer estudo geográfico, de navegação com instrumentos e de técnicas de pesca no continente, como forma de ampliar seu potencial. A partir das ações de valorização da cultura e das potencialidades locais, a consciência ambiental aflorou como um processo natural naquelas comunidades.